Desde criança, mesmo quando dormia sozinho, sempre sentia uma presença negativa ao meu lado. Ouvia vozes sussurrando palavras pesadas em meu ouvido, sentia mãos ásperas acariciando meus ombros, cheirava um hálito ruim perto de mim.
Mesmo contando a algumas pessoas, nunca me levaram a sério. Com o tempo, aprendi a conviver com essas presenças que já haviam sido denominadas monstros por mim. O medo foi passando e depois até comecei a gostar deles.
Aprendi a linguagem do outro mundo. Nunca os vi de verdade, mas os sentia, os conhecia, os ouvia. Algumas vezes escutei que deveríamos lutar contra nossos próprios monstros, mas eu lidei com os meus e os adorei após acostumar-me com a ideia de tê-los ali sempre.
Não precisei matar para ficar bem. Só precisei deixar o medo de lado e o tal preconceito; afinal, eles me amedrontavam, mas nunca chegaram a machucar-me.

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